Mário Sérgio Cruz

De São Paulo, Especial para TenisBrasil

A partida de estreia no SP Open ofereceu alguns desafios a mais para Eva Lys. Por conta do tempo instável no início da semana na capital paulista, o jogo contra a gaúcha Gabriela Cé começou ainda na terça-feira e foi retomado apenas na tarde desta quarta. E além disso a alemã, teve a experiência de jogar contra uma tenista da casa no Parque Villa Lobos. Para a próxima rodada, Lys enfrenta a argentina Nadia Podoroska e espera contar com a torcida brasileira.

“Não foi fácil enfrentar uma brasileira e o jogo mostrou isso. Ela teve muito apoio da torcida e isso faz parte do tênis”, disse Lys a TenisBrasil após a vitória por 6/1, 5/7 e 7/5 contra Cé. “Em todos os países que eu vou, e o público é muito apaixonado pelos esportes, você não quer enfrentar uma jogadora da casa. E eu estava pensando nisso desde ontem: Se eu passar pela primeira rodada, talvez os fãs fiquem do meu lado na próxima partida”.

“A melhor coisa de jogar em casa é ter o estádio todo torcendo por você. Isso é o que eu espero quando jogo na Alemanha. Então eu nunca vou ficar chateada ou brigar com a torcida adversária”, acrescentou a jogadora de 24 anos. “Sabia que seria dificil, como nas vezes em que comemoravam duplas faltas, mas mantive a calma e acho que isso faz parte do tênis. É muito legal ver como as pessoas daqui amam o tênis e as jogadoras”.

A ex-top 40 e atual 99ª do mundo também falou sobre como teve que se adaptar às condições, mesmo com adaptações na rotina de treinos nos últimos dias. “Foram dias difíceis por causa da chuva, é difícil de treinar. Ainda mais porque é a primeira vez em dois anos que eu jogo com um pouco de altitude. Não sou a maior fã, mas tento me desafiar. Ela jogou bem, e exatamente da maneira que eu detesto enfrentar. Tive dificuldades e estava muito nervosa, mas estou muito feliz por ter vencido”.

A vitória desta quarta-feira foi apenas a oitava na temporada para Lys, que tem sua condição física acompanhada de perto. Diagnosticada com espondiloartrite, uma doença inflamatória crônica que afeta as articulações, especialmente a coluna vertebral, a alemã precisa ser cautelosa com o calendário de treinos e competições.

“Vocês puderam ver na partida o quanto esse ano foi dificil para mim. Nós, jogadoras, ganhamos confiança vencendo as partidas. E quando você não vence tanto, sofre nos momentos decisivos. Sinto que todo mundo é capaz de vencer qualquer jogadora”, afirmou. “O que decide um jogo é o quanto você está confiante nos momentos importantes. Tive 5/3 no segundo set, mas não estava tão confiante e joguei de forma mais passiva. Ela aproveitou. Isso foi o que eu mudei hoje. Nos momentos decisivos eu consegui ser mais agressiva”.