Toronto (Canadá) – A ucraniana Marta Kostyuk estreou com vitória no WTA 1000 de Toronto sobre a convidada local Katherine Sebov e aproveitou para fazer uma análise sobre os efeitos do calendário no circuito feminino. A atual número 11 do mundo afirmou que o desgaste físico e, principalmente, mental reduz a qualidade do tênis nesta altura da temporada.
Kostyuk contou que a transição do saibro e da grama para a quadra sintética foi mais intensa do que imaginava, principalmente pelo grande número de partidas disputadas nos últimos meses.
“Sinceramente, senti que essa mudança foi muito drástica. Nunca tinha passado por isso na minha carreira. Provavelmente porque joguei muito no saibro e também muito na grama, então foi uma experiência completamente nova para mim. Quando voltei para a quadra sintética, parecia que fazia um ano desde a última vez que joguei nela. No meio disso tudo, disputei muitas partidas”, afirmou.
A ucraniana disse que gosta do verão norte-americano justamente porque ele coloca à prova a capacidade das jogadoras de lidar com o desgaste acumulado ao longo da temporada.
“Gosto muito desta parte da temporada. Você percebe que todas começam a ficar cansadas, que às vezes a qualidade do tênis feminino diminui e nem todo mundo está mais tão descansado. É interessante ver como cada jogadora tenta lidar com isso”, ponderou a cabeça de chave 10 no Canadá.
A ucraniana de 24 anos considera que o aspecto mental pesa muito mais do que o físico neste momento. “Fisicamente, todas estamos preparadas. Somos fortes e isso quase nunca é um problema, a menos que haja uma lesão”, ponderou.
“O problema aparece quando as jogadoras começam a se cansar mentalmente. Você encara os momentos difíceis de outra maneira, fica mais irritada, mais nervosa, toma decisões precipitadas e impulsivas dentro da quadra”, prosseguiu a ucraniana.
A tenista de 24 anos reconheceu que ainda está aprendendo a administrar uma temporada tão consistente. “É um território completamente novo para mim. O que mais funcionou foi não levar tudo tão a sério e tentar gastar o mínimo possível de energia emocional e mental. Sinto que este ano aprendi a lidar com muitas situações diferentes e tenho muito orgulho da forma como minha equipe e eu administramos tudo isso”, garantiu.
Kostyuk também revelou uma mudança curiosa feita antes da estreia em Toronto, ao trocar de tênis. “Troquei de tênis há quatro dias e me senti muito mais rápida e explosiva na quadra. No começo, até tive dificuldade para controlar essa velocidade. Também voltamos para a quadra sintética depois da pausa e fizemos alguns ajustes no meu jogo durante essas semanas. Precisei de um pouco de tempo para me adaptar”, avaliou.
A ucraniana terá como desafio na terceira rodada a norte-americana Madison Keys, para quem perdeu os dois duelos anteriores. A rival é a 19ª pré-classificada e avançou com vitória sobre a croata Antonia Ruzic por 2 sets a 0, com parciais de 6/1 e 6/2.
