A classificação de Orlando Luz e Rafael Matos para o ATP Finals, quase aos 45 do segundo tempo, é um presente de última hora para uma temporada cheia de grandes momentos para o tênis nacional, que voltou a decidir Wimbledon, viu uma nova número 3 do ranking, dois títulos de Masters 1000, presença em quartas de Slam masculino e um título juvenil de Slam que não se viam há muito tempo.

Aliás, também será a primeira vez que o Brasil disputa os dois Finals ao mesmo tempo. Luísa Stefani e sua parceira canadense Gabriela Dabrowski são as cabeças 1 no piso sintético de Indian Wells, onde começam na segunda-feira uma briga acirrada contra Karolina Siniakova e Taylor Townsend pelo número 1 ao final do ano. A diferença em favor do dueto da brasileira é de 125 pontos, menos do que os 200 que valem cada vitória na fase inicial de grupos.

Matos e Luz dispararam no ranking com os dois títulos espetaculares e inesperados em Montréal e Cincinnati mas, desde então, viveram uma angustiante estagnação, tendo vencido uma única partida do circuito normal a partir do US Open. Por isso, chegaram em nono lugar no Masters de Paris. Deu tudo certo. Uma única vitória garantiu a vaga, já que os dois concorrentes diretos falharam.

Dessa forma, o Brasil volta a ter uma dupla totalmente nacional no Finals depois de 43 anos, já que Cássio Motta e Carlos Kirmayr se classificaram em 1983. À época, o torneio era eliminatório e os dois perderam logo na estreia. Depois, Jaime Oncins entrou ao lado do argentino Daniel Orsanic e ganhou uma partida, já no sistema de grupos.

Vieram então os anos áureos dos mineiros. Marcelo Melo disputou nada menos que oito Finals consecutivos, entre 2013 e 2020, tendo decidido o título em 2014 e 2017. O primeiro deles foi mais do que especial: ele e o croata Ivan Dodig perderam dos irmãos Bryan por 10-7 no supertiebreak. Quase ao mesmo tempo, Bruno Soares chegou a sete participações, entre 2013 e 2021, com cinco presença em semifinais.

Não há jogo fácil num Finals, porém os brasileiros podem torcer para cair no grupo de Christian Harrison/Neal Skupski, de Marcelo Arévalo/Mate Pavic e de Simone Bolelli/Andrea Vavassori, parcerias que os gaúchos venceram nas campanhas de Montréal e Cincinnati.

Em sua segunda participação no WTA Finals, Stefani tem a seu lado a campeã do torneio em 2024. A chave é dura, com duas campeãs de Slam na temporada. Fazem revanche da final perdida de Wimbledon contra a chinesa Hanyu Guo e a francesa Kristina Mladenovic e enfrentam as campeãs do Australian Open, a belga Elise Mertens e a chinesa Shuai Zhang. Reencontram ainda a letã Jelena Ostapenko e a taiwanesa Su-Wei Hsieh, a quem venceram nas quartas de Melbourne.

Últimas vagas e o valor da reserva

O Finals de simples dos homens já tem seis nomes garantidos: Alexander Zverev, Carlos Alcaraz, Ben Shelton, Daniil Medvedev, Flavio Cobolli e Arthur Fils. As duas vagas restantes estão entre Frances Tiafoe e Rafael Jódar, já eliminados em Paris, e Taylor Fritz e Tommy Paul.

Como estão em lados opostos de Paris, Fritz e Paul podem se classificar juntos caso decidam o torneio. Fritz ainda pode ser ao menos semi, o que já bastaria para superar Jódar, algo que Paul só fará se for à decisão. Vale lembrar a importância de ser um dos dois reservas em Turim, já que Flavio Cobolli é dúvida séria.

A rodada desta quarta-feira surpreendeu. Esperava-se que Novak Djokovic e Alex de Minaur avançassem e fizessem duelo direto pela vaga, no entanto os dois perderam. Nole fez um tremendo primeiro set e aí caiu drasticamente de qualidade, permitindo a virada de Rinky Hijikata, com seu jogo ofensivo de bom duplista. Já o australiano deixou escapar o primeiro set e deu confiança ao argentino Tomas Etcheverry.

O dia em Paris teve ainda a curiosa vitória de Quentin Haylis sobre Tiafoe, o que deu a vaga inédita para o compatriota Arthur Fils. A França não tinha um representante de simples no Finals há 10 anos. Outro nome da casa, Luca van Assche, tirou Learner Tien e Ignacio Buse foi sólido contra Medvedev. O italiano Lorenzo Musetti colocou no currículo sua primeira vitória sobre um número 1, em dia pouquíssimo inspirado de Alexander Zverev.

Halys e Matteo Berrettini estão nas oitavas e com isso superam João Fonseca no ranking. O carioca desce provisoriamente para 44º e ainda pode cair mais duas, caso Assche e Nuno Borges ganhem mais uma partida. Na rodada desta quinta-feira, Berrettini desafia o favorito Carlos Alcaraz.