Nova York (EUA) – À medida que Alexandra Eala subiu no ranking nesta temporada, o comportamento da torcida tornou-se um assunto recorrente em suas partidas. Como a primeira tenista de destaque das Filipinas, ela tem atraído multidões impressionantes por onde passa, em grande parte, pessoas que estão descobrindo o esporte agora e não sabem quando podem se manifestar e quando têm de fazer silêncio.
Isso tem criado atmosferas vibrantes e agitadas em torneios que, normalmente, seriam mais tranquilos. Também tem incomodado algumas adversárias, ou pelo menos deixado algumas desconfortáveis. Após perder para Eala na final de Washington, diante de uma torcida claramente favorável à oponente, a americana Jessica Pegula reconheceu que a sensação era a de estar jogando fora de casa.
Neste US Open, no quarto game da partida de estreia de Eala no US Open na última terça-feira, desenrolou-se um ponto longo que arrancou suspiros e aplausos com frequência crescente. Quando Eala finalmente acertou uma passada contra a americana Mary Stoiana, o público vibrou intensamente. A árbitra de cadeira Marijana Veljovic não gostou e advertiu: “Por favor, por respeito a ambas as jogadoras, mantenham o volume de voz baixo.”
“Embora o resultado não tenha sido favorável para mim, a atmosfera foi realmente ótima”, disse Stoiana. “Prefiro jogar em um ambiente assim do que sem ninguém [nas arquibancadas].”
À exceção daquele momento no início da partida de terça, o “efeito Eala” foi relativamente contido durante sua vitória por 6/1 e 6/2. Parte disso pode ter ocorrido devido à relativa facilidade com que Eala venceu o jogo.
No entanto, à medida que Eala, cabeça de chave 17, avança no torneio e disputa partidas mais acirradas, a torcida poderá se tornar um fator decisivo. “Acho que já vivenciei isso bastante ultimamente e, em termos de profissionalismo e de saber separar as coisas, encontrei um ritmo melhor para lidar com isso”, disse Eala. “Mas não perde a graça. Eles [os torcedores filipinos] ainda me surpreendem.”
Como detalhado em uma matéria do Yahoo Sports na semana passada, Eala é a maior atleta a surgir nas Filipinas desde o boxeador Manny Pacquiao, o primeiro campeão mundial em oito categorias de peso diferentes, tendo conquistado ao todo 11 títulos mundiais. Em um país de 114 milhões de habitantes e com milhares espalhados pelo mundo — incluindo cerca de 250 mil filipinos na região de Nova York —, a paixão nacional por esportes nem sempre encontrou representação no cenário mundial.
Isso se traduziu em uma audiência enorme para seus jogos e coletivas de imprensa, grandes contratos de patrocínio e torneios com ingressos esgotados em locais como Toronto, que chegou a incluir uma barraca de comida filipina este ano.
Someone brought younger Alexandra to the match 😍 pic.twitter.com/9J5GaM5Vex
— US Open Tennis (@usopen) September 2, 2026
Quando o US Open anunciou que Eala disputaria sua primeira rodada na sessão noturna, na Quadra Louis Armstrong, os preços dos ingressos no mercado secundário dispararam imediatamente para cerca de 400 dólares cada. E seus fãs certamente marcaram presença na terça-feira, agitando bandeiras das Filipinas a cada ponto que ela conquistava.
“Tive experiências com grandes públicos no último ano e tenho lidado bem com isso para manter o foco naquilo que realmente importa”, disse Eala. “No fim das contas, quando você entra no ritmo, o que conta é o tênis. Uma partida é uma partida, haja muita gente ou ninguém. Assim que os jogadores entram nesse ritmo, a influência de fatores externos diminui.”
“Foi a primeira vez que joguei em uma das quadras principais daqui. O barulho é muito intenso, especialmente quando o teto está fechado”, apontou a estrela filipina. “Isso contribui para a atmosfera, mas é algo com que você precisa saber lidar. Claro, chegar como cabeça de chave e ter tido um bom desempenho nesta série de torneios nos EUA traz uma energia diferente. Um pouco mais de confiança, expectativas um pouco maiores, mas acho que tenho lidado bem com tudo isso.”
Eala tornou a vencer nesta quinta-feira, derrotando a ucraniana Oleksandra Oliynykova, 46ª do ranking mundial, por 6/1 e 6/4, e garantiu vaga na terceira rodada diante da vencedora do jogo entre Iva Jovic e Francesca Jones.
“Minha neta começou a jogar tênis por causa da Alex”, disse Maria Reyes, que mora na vizinha Woodside, no Queens, o coração da cultura filipina na cidade de Nova York.
Por acaso, Reyes estava em Manila durante a campanha de Eala em Wimbledon e acompanhou tudo em uma festa organizada por moradores locais para assistir aos jogos. “Foi uma loucura; choramos quando ela falou aquelas coisas sobre suas bochechas gordinhas”, disse Reyes, comparando o fervor dos fãs de Eala à febre em torno dos Knicks em Nova York.
Para Alberto Cruz, morador de Jersey City (Nova Jersey), Eala é um exemplo de como os atletas devem se comportar. “Ela é determinada, elegante e sempre se lembra de homenagear suas origens”, disse Cruz, que levou uma bandeira das Filipinas e um cartaz com os dizeres “Laban Alex” para a partida.
“Laban” é a palavra filipina para “luta” (no sentido literal), mas que, de forma mais casual, significa “vamos lá” ou “avante”.
Também foram vistos cartazes com os dizeres “Barangay New York”. O termo “barangay”, embora se refira literalmente a um vilarejo ou bairro, é usado aqui para designar uma comunidade de torcedores apaixonados.
Cindy Manalo, de Maplewood, Nova Jersey, que estava presente na partida da primeira rodada de Eala, tem um filho e uma filha que jogam tênis. “Gosto de ver parte da minha origem ganhando destaque no cenário mundial”, disse ela. “E adoro o fato de a Alex parecer valorizar seus fãs.”
Manalo tem razão: Eala frequentemente expressa gratidão pelo apoio de seus fãs, que às vezes se mostram bastante efusivos.
“Estou sempre tentando ser … uma pessoa mais inteligente, mais consciente e, enfim, ser a melhor versão de mim mesma”, disse ela após a estreia. “Acho que meu tênis não seria tão bom quanto é hoje se eu não fosse a pessoa que sou fora das quadras, ou se não tivesse a mente aberta e, sabe, a vontade de aprender.”
