Depois de conquistar do primeiro título profissional de simples, Carolina Bohrer já pensa em objetivos maiores para a sequência da temporada. A catarinense de 18 anos foi campeã no segundo W15 de Campos do Jordão, vencendo uma final brasileira contra Luiza Fullana no último domingo. A vitória encerrou da melhor forma possível uma sequência de duas semanas para a jovem tenista, que vinha de uma semifinal de simples e uma final de duplas no torneio anterior.
“Para mim, essas duas semanas foram muito especiais. Estava jogando sozinha, sem família ou treinador. Então tiveram momentos muitos solitários. Mas acho que lidei muito bem com isso e com a pressão dos jogos”, disse Bohrer, em entrevista a TenisBrasil nesta segunda-feira.
“Sempre estava tentado estar paciente e calma em quadra. E extremamente focada, porque eu sabia que quadra dura é onde eu prefiro jogar. Sabia que poderia conseguir ótimos resultados se lutasse e desse tudo para isso. Minha família está muito emocionada”, acrescentou a brasileira, que treina nos Estados Unidos.
“Cresci muito como pessoa nessas duas últimas semanas. Minha disciplina dentro e fora da quadra foi o que eu acho que me ajudou a conseguir esse meu primeiro título”, explicou a jovem tenista. “Lembro que saí de alguns jogos e falei com o meu pai que realmente não tinha jogado bem ou o que eu esperava ter jogado mais. Lutei até o fim e em momento nenhum me perdi mentalmente em quadra. Respirava fundo e continuava jogando, porque tem dias que não tem o que fazer a não ser tentar o seu melhor daquele dia”.
Na temporada passada, Bohrer precisou ficar mais de três meses longe das competições, porque havia atingido o limite de torneios profissionais permitidos para sua idade. As restrições só caíram depois que ela completou 18 anos, em setembro.
Ela conseguiu se manter em atividade disputando torneios UTR, uma liga com premiações em dinheiro e que também auxilia no recrutamento de univesidades norte-americanas. E o período de adaptação também foi de muito aprendizado. “Aprendi muito a respirar e treinar bem, e voltei focada e sabendo o que eu queria. Desde então venho, conseguindo melhores resultados e melhores partidas e isso é o principal pra mim”, explicou.
Bohrer continuará em São Paulo nesta semana e jogará o W35 de Barueri. Mas seu principal objetivo é estar no SP Open, que acontece em setembro, é disputar seu primeiro WTA 250. “Vim também para o Brasil para tentar mostrar para todo mundo o nível de tênis que eu estou. E também seria um presente poder jogar o SP Open, por ser na semana do meu aniversário”.
“Nessas próximas semanas, espero continuar nesse estado mentalmente. E vou continuar sendo humilde porque é só o meu primeiro título de simples e ainda tenho muito para melhorar e crescer. Estou torcendo de ter a chance de jogar no SP Open. Mas se não for dessa vez, não tem problema, porque a minha vez vai chegar”.
Salto no ranking e busca por novo treinador
Atual 689ª do ranking, Bohrer dará um novo salto na próxima segunda-feira, quando receberá os 15 pontos do título e deve se aproximar do 610º lugar. E a premiação de US$ 2.352 é de fundamental importância também para a tenista consiga investir em seu prórpio crescimento: “Eu joguei torneios prize money da UTR para conseguir um pouco de dinheiro e vir jogar esses torneios aqui no Brasil. Seria muito caro para alguém mais vir comigo”, relatou.
“Eu acabo combinando treino com as próprias jogadoras. Depende da semana, de quem está no torneio e das que conheço mais e sou mais amiga. Nesta semana vou, jogar duplas com a Isabella Aguirre. Joguei com ela em Vacaria, treinei com ela hoje de manhã”, comentou a respeito da rotina de viagens sem treinador.
Embora esteja baseada nos Estados Unidos há sete anos, por uma mudança familiar junto com os pais e a irmã, Bohrer decidiu priorizar o tênis prossional e não seguir o caminho do circuito universitário: “Tomamos em família uma decisão difícil. Foram ótimas e tentadoras propostas de praticamente todas as universidades top de tênis e de estudo. Mas decidimos focar no meu Plano A e vou seguir no circuito profissional”.
Ainda assim, iniciou recentemente uma rotina de estudos nas áreas de ciência e saúde por uma plataforma on-line. “Poucas matérias para poder jogar e viajar. Mas eu gosto de estudar e preciso me ocupar sou assim”, explicou. “Estou fazendo duas aulas on-line até dezembro. Sou bem disciplinada aos estudos como sou ao tênis. Normalmente eu acordo às 5 e já faço o meu café e começo a estudar um pouco antes de ir para o clube e treinar, almoçar e depois treinar ou jogar e tudo mais e volto para o hotel ou Airbnb e descanso um pouco ou termino algo que tenho pra fazer”.
Bohrer chegou a treinar com o colombiano Felipe Mantilla, que hoje acompanha o norte-americano Jordan Lee, campeão juvenil de Wimbledon. Embora não estejam mais trabalhando juntos, a amizade e o respeito continuam: “Depois de treinar a Emiliana Arango, ele me chamou para treinar por algum tempo. Mas sem patrocínio seria impossível financeiramente tê-lo como coach. Ele acabou recebendo uma proposta da equipe americana para ser treinador do player development”.
“E está em Nova York esta semana com o Jordan Lee, filho da Tina Lee, que também foi minha treinadora e é head coach da USTA National Campus. O Jordan treinou comigo e não ganhava de mim! Mas o Felipe é muito especial e continuamos nos falando sempre. Ele me liga ou eu ligo para ele, que me considera como uma “filha”. Somos amigos de toda a família dele também. Foi uma pena perdê-lo de Coach, mas quem sabe no futuro a gente não se encontre de novo”.
E mesmo sem um treinador fixo, ela mantém a confiança para os próximos passos: “Tenho algumas academias que querem que eu treine lá. Só que será uma mudança de toda família. Continuaremos na Florida. Acho que em breve poderei anunciar onde e com quem estarei treinando. Como é algo que envolve toda a família, quero ter certeza que tudo esteja certo. Recebi convite de academias de preparação física específicas para o tênis também. Todos estão apostando em mim e acho que isto que é o que mais nos motiva a acreditar”.
