Berlim (Alemanha) – O alemão Boris Becker recebeu propostas para voltar a trabalhar com tenistas profissionais e não descarta um retorno em 2027. O ex-número 1 do mundo, porém, não pretende reassumir a rotina de viagens de um treinador. Também não vê espaço para formar parceria com o compatriota Alexander Zverev, atual líder do ranking, com quem trocou farpas nesta semana.

“Tenho que ser quem manda no ringue. Se um membro da família tem uma opinião diferente, em um idioma que não entendo, neste caso o russo, isso não funciona”, afirmou o alemão de 58 anos em entrevista à revista Der Spiegel, numa referência ao pai e treinador de Zverev, Alexander Zverev Sr.

O tricampeão de Wimbledon deixou evidente que não aceita dividir decisões técnicas com familiares de jogadores. Becker vê a equipe do atleta de 29 anos como uma empresa familiar, da qual também participa Mischa Zverev, irmão mais velho do atual número 1 do mundo.

In einem SPIEGEL-Interview versuchte Boris Becker fehlende Sympathien in Deutschland für Alexander Zverev zu erklären. Der konterte nun scharf. Becker suche nach allem, um ihn runterzumachen. Link in X-Bio. https://t.co/VOE1s4U9KC

— DER SPIEGEL (@derspiegel) November 4, 2026

As polêmicas começaram durante o Masters 1000 de Paris. Becker criticou a postura do tenista de Hamburgo nas entrevistas em alemão, questionou sua relação com o público e cobrou um posicionamento sobre a guerra na Ucrânia. Zverev respondeu após a derrota para Lorenzo Musetti.

“Não sei o que está acontecendo com ele ultimamente, mas tenho a impressão de que precisa comentar tudo o que faço”, disparou o jogador de 29 anos. “Acho que está procurando qualquer coisa para me diminuir um pouco. Pode fazer isso, é uma escolha dele”, retrucou Sascha.

Becker também recordou o período em que acompanhou Zverev, entre 2017 e 2021, quando ocupava um cargo de direção na federação alemã. “Estive em seu boxe em muitas partidas, acompanhei treinamentos e o apoiei ativamente. Tivemos nossos altos e baixos”, contou.

“Sou 30 anos mais velho e tenho filhos da idade dele. Às vezes é preciso dizer a esses jovens coisas que eles não gostam de ouvir. Isso pode até motivá-los ainda mais. O importante é que ele vença. E neste ano ele venceu”, ponderou o ex-número 1.

Sobre os convites para voltar a treinar, o ex-líder do ranking não revelou quem o procurou. “Houve várias consultas. É claro que não vou mencionar nomes!”, disse. Uma das possibilidades é trabalhar como mentor durante torneios de Grand Slam, Masters 1000 ou períodos de treinamento.

Becker, contudo, também enfatizou como não pretende passar meses longe de casa. “Não quero fazer isso com minha família. Vamos ver o que acontece no próximo ano. Mas não vou mais fazer as malas em agosto e voltar para casa apenas em outubro”, ponderou.

Campeão de seis torneios de Grand Slam, o germânico comandou o sérvio Novak Djokovic entre 2013 e 2016. Seu trabalho mais recente foi com o dinamarquês Holger Rune, numa breve parceria iniciada em outubro de 2023 e encerrada em fevereiro de 2024.