Madri (Espanha) – Aposentado recentemente do circuito profissional, Roberto Bautista acredita que Novak Djokovic está mais vulnerável fisicamente e que as dificuldades enfrentadas pelo veterano de 39 anos ajudam a explicar os resultados abaixo do esperado nesta temporada.

“Tenho a sensação de que isso está acontecendo um pouco com Novak. Ultimamente, ele parece um pouco mais vulnerável fisicamente e acredito que essas dúvidas o afetam dentro da quadra e também no seu tênis”, avaliou Bautista em entrevista à Rádio Nacional da Espanha.

O ex-número 9 do mundo lembrou do que viveu na reta final da própria trajetória. “Acho que a cabeça começa a falhar quando fisicamente você começa a sentir que seu corpo já não responde da mesma maneira. Quando comecei a sentir meu corpo diferente, apareceram as dúvidas”, revelou.

“Essas dúvidas também influenciam na quadra e nos momentos importantes. Existe aquela diferença entre ganhar três ou quatro pontos a mais ou três ou quatro pontos a menos, que pode fazer você ganhar ou perder uma partida”, avaliou o espanhol, que anunciou a aposentadoria em julho.

Djokovic teve resultados distintos nos Grand Slam nesta temporada. Foi vice-campeão do Aberto da Austrália, caiu na terceira rodada de Roland Garros em batalha contra o brasileiro João Fonseca e chegou às semifinais de Wimbledon.

No US Open, acabou eliminado logo na estreia pelo argentino Mariano Navone em cinco sets, em partida na qual voltou a enfrentar problemas físicos diante da resistência do adversário. Antes de competir em Flushing Meadows, o ex-número 1 também caiu na primeira partida, diante de Thiago Tirante, outro argentino.

Bautista destacou que cenas de desgaste do tenista de Belgrado não são novidade, mas vê diferença na capacidade de recuperação do multicampeão. “O US Open é um torneio muito exigente, se não o mais exigente. Há 15 anos, Novak também podia aparentar muito desgaste durante uma partida. A diferença é que conseguia se recuperar, superar esses momentos, vencer e estar novamente recuperado no dia seguinte”, avaliou o ex-top 10.

“Agora é mais complicado passar por essas situações, mas é algo lógico e normal aos 38 ou 39 anos. O corpo já não se recupera da mesma maneira, por mais que você se prepare”, completou Bautista.