Nova York (EUA) – Carlos Alcaraz não escondeu a emoção após voltar às competições com vitória no US Open. Longe das quadras por mais de quatro meses por causa de uma lesão no punho direito, o espanhol admitiu ter sentido muito nervosismo durante a vitória por triplo 6/4 sobre o russo Roman Safiullin na estreia.

“Foi um dia difícil para mim, para ser sincero, mas ao mesmo tempo muito bonito. Comecei o dia muito nervoso. Muito, muito nervoso, pensando: ‘Vou conseguir, vou competir novamente’. Fiquei mais nervoso do que de costume”, admitiu o atual campeão.

O ex-número 1 revelou que o longo período afastado chegou a fazê-lo estranhar a própria rotina antes de uma partida. “Foi como se eu tivesse esquecido como é um dia de jogo. Estava aquecendo e nem lembrava direito o que costumava fazer no aquecimento”, disse.

CARLOS. ALCARAZ.

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— Tennis TV (@TennisTV) August 31, 2026

“Foi uma questão de recuperar novamente essa sensação. Estava muito nervoso porque não sabia o que aconteceria em quadra. De certa forma, simplesmente esqueci a competição”, prosseguiu o tenista de 23 anos.

Além da vitória, Alcaraz comemorou principalmente a resposta física. O espanhol garantiu estar sem dores e afirmou que conseguiu executar seus golpes normalmente.

“Não sei como pareceu de fora, mas minha sensação era de que estava batendo e jogando de maneira bastante normal, com meu estilo. O braço, o punho, tudo respondeu muito bem. Estou muito feliz por finalmente estar sem dor”, destacou.

Cautela com o punho e estratégia no saque

O espanhol ainda revelou que o problema, sentido inicialmente durante o ATP 500 de Barcelona, acabou sendo mais grave do que a equipe imaginava. Ele perdeu o restante da temporada de saibro, os torneios na grama e o início do verão norte-americano no piso sintético.

O cabeça de chave 2 utilizou proteção no punho e pretende manter os cuidados. “Foi mais sério do que pensávamos no começo. Vou continuar cuidando, obviamente, nestes dias e antes das partidas. Prevenção é sempre bom”, ponderou.

O saque não foi o ponto forte de Alcaraz contra o russo. Mas ele revelou que utilizou outra estratégia para compensar a falta de ritmo no fundamento.

“Provavelmente o saque é o golpe com que mais estou sofrendo. Há jogadores que gostam de devolver quando a bola vem acima de 210 km/h e, quando você saca um pouco mais devagar do que eles querem, acabam tendo dificuldade. Grande parte daquela velocidade foi uma questão tática. Vou tentar sacar melhor e voltar ao normal”, confidenciou.

Alcaraz evita projetar objetivos e fala sobre Djokovic

Sem estabelecer metas em Flushing Meadows, o atleta de Murcia quer aproveitar o retorno à competição antes de pensar em resultados. Ele faz duelo inédito com o português Jaime Faria em busca de vaga na terceira fase.

“Não sei até onde vou chegar no torneio. Não sabia se perderia esta partida, se chegaria à segunda rodada ou à final. O que realmente quero é aproveitar cada vez que entrar em quadra, sentir a energia das pessoas e sentir novamente a competição. Os resultados virão depois”, ponderou.

Questionado sobre a surpreendente eliminação de Novak Djokovic na estreia, o espanhol contou ter acompanhado o quinto set e reconheceu que não esperava a queda prematura do sérvio diante do argentino Mariano Navone.

“Obviamente, foi a primeira vez que Novak perdeu na primeira rodada aqui. Então, é uma grande surpresa. Alguém como Novak sair na primeira rodada é surpreendente. Ele estava na minha parte da chave, mas seria na semifinal. Para mim, a semifinal está longe demais. Tento pensar rodada a rodada”, concluiu Alcaraz.