Nova York (EUA) – Uma das grandes surpresas do US Open, Alex Michelsen não se incomoda em ser considerado “zebra”. Aos 22 anos, o norte-americano alcançou pela primeira vez as quartas de final de um Grand Slam ao superar o argentino Tomas Etcheverry por 7/6, 6/4 e 6/4 e ainda não perdeu set no torneio.
“Adoro ficar fora do radar. É ótimo. Ao mesmo tempo, há muitos caras mais jovens do que eu que vêm jogando muito bem. Podemos dizer que eu não mereci essa atenção e estou bem com isso. Você recebe aquilo que conquista”, afirmou Michelsen.
O jovem admite certa surpresa com a campanha, principalmente pelo nível que vinha apresentando antes do US Open. “Minha forma antes deste torneio não estava muito boa. Mas venho trabalhando muito duro há não sei quantos anos. Estou um pouco surpreso que tenha acontecido desta maneira, mas sempre tive a sensação de que um dia aconteceria”, admitiu.
Tênis profissional não estava nos planos
A ascensão de Michelsen ganha ainda mais destaque pelo início pouco convencional. Até os 16 anos, ele sequer pensava na possibilidade de construir uma carreira no esporte.
“Ninguém nunca me disse realmente que eu poderia ser profissional até os 16 anos. Isso nunca foi discutido na minha casa, nenhum treinador tocou no assunto. Nunca foi realmente uma ideia para mim”, revelou.
A primeira pessoa a enxergar esse potencial foi seu então treinador Jay Leavitt. “Eu estava começando a melhorar cada vez mais e ele disse: ‘Acho que você pode chegar ao top 100 do mundo’. Eu respondi: ‘Não’. E ele: ‘Acho que pode’. Nunca vou esquecer. Foi a primeira pessoa que me disse isso e acabou tendo razão. A partir daquele momento, comecei a trabalhar muito duro”, disse.
Atual 46º do ranking, Michelsen está próximo de retornar ao top 30, já aparecendo provisoriamente na 33ª posição. Ele relembra o impacto ao chegar ao circuito depois de se acostumar a vencer muitas partidas nas categorias inferiores. “Aí você chega ao circuito e todos esses caras são psicopatas, são incríveis. Fica difícil. A confiança oscila, claro, mas no fim sempre tenho essa confiança em mim mesmo”, destacou.
Amigo e compatriota rumo a novo feito
Por uma vaga inédita nas semifinais, Michelsen enfrenta Frances Tiafoe, outra esperança da torcida local. Ele perdeu os dois confrontos anteriores e lembra de assistir de casa ao compatriota enfrentar Roger Federer na Arthur Ashe, em 2017. “Eu devia ter 12 ou 13 anos. Já joguei contra ele duas vezes e estou 0-2, então vou precisar mudar algumas coisas.”
“Faz bastante tempo desde que jogamos e sinto que melhorei. Ele é uma pessoa incrível e um grande amigo. Frances tem todos os golpes possíveis e é um grande competidor”, elogiou o californiano.
Motivado, ele espera surpreender novamente. “Já disse antes que acho que ele é um jogador top 5 no US Open. Será uma tarefa muito difícil, mas vou entrar em quadra e dar tudo de mim”, garantiu Michelsen.
